Uma loja de roupa portuguesa tinha um website funcional, investia em Google Ads e mantinha uma presença digital ativa, mas a faturação permanecia estagnada.

A resposta mais imediata seria aumentar o investimento. A análise revelou uma limitação mais estrutural: a conta gerava tráfego, mas a segmentação, a arquitetura das campanhas e a distribuição do orçamento não estavam alinhadas com os produtos de maior potencial comercial.

O website existia, mas tinha pouca capacidade para captar procura qualificada através da pesquisa orgânica. As principais categorias de produto não estavam alinhadas com a forma como os utilizadores pesquisam, o que limitava a sua visibilidade para pesquisas com intenção de compra. Grande parte do catálogo encontrava-se, na prática, ausente dos resultados que geram receita.


Nas campanhas de Google Ads, o problema era semelhante. A estrutura privilegiava volume de tráfego em detrimento da intenção comercial. Diferentes pesquisas eram agrupadas nas mesmas campanhas, conduzidas para as mesmas páginas e avaliadas segundo os mesmos critérios. O resultado era uma dispersão do orçamento por utilizadores com níveis de intenção muito distintos, dificultando a geração consistente de vendas.


O problema agravava-se ao nível da medição. O tracking de conversões não fornecia dados suficientemente fiáveis para alimentar os algoritmos de otimização. Na prática, as campanhas estavam a ser ajustadas com base no comportamento de quem clicava, e não no comportamento de quem comprava. Nestas condições, aumentar o investimento significaria apenas amplificar as ineficiências já existentes.


A estratégia seguiu uma lógica simples: corrigir os fundamentos antes de aumentar a escala.

O primeiro passo foi garantir a fiabilidade da medição. Sem dados consistentes sobre as vendas geradas, qualquer tentativa de otimização estaria limitada. Foi implementada uma nova estrutura de tracking, permitindo associar o investimento publicitário ao comportamento real dos compradores.


Em paralelo, reestruturámos a presença orgânica com foco em pesquisas de elevada intenção comercial. As principais categorias de produto foram reorganizadas e otimizadas para corresponder à linguagem utilizada pelos consumidores, aumentando a capacidade do website captar procura qualificada ao longo de todo o processo de compra.


Na publicidade paga, abandonámos a lógica centrada no volume de cliques e reconstruímos a conta em torno da intenção de pesquisa e da rentabilidade. As campanhas passaram a estar organizadas por categoria de produto, com mensagens, segmentação e páginas de destino alinhadas com cada contexto de pesquisa.


Só depois de estabilizada a recolha de dados e validada a qualidade das conversões avançámos para modelos de automatização mais sofisticados. Foram ativadas estratégias de bidding orientadas para retorno sobre o investimento, complementadas por campanhas Performance Max suportadas por feeds otimizados e sinais de audiência construídos a partir do comportamento de compradores reais.


Em três meses, a faturação mensal aumentou de 3.000€ para 10.000€, sem crescimento proporcional do investimento em paid media.

O crescimento não resultou de um orçamento maior. Resultou da correção dos fatores que impediam esse investimento de gerar retorno. Quando a medição é fiável, a aquisição está alinhada com a intenção de compra e as campanhas são otimizadas para vendas reais, o mesmo investimento passa a produzir resultados substancialmente diferentes.



O problema nunca foi a falta de budget. Era a ausência de uma estrutura capaz de transformar procura em receita.


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