O problema não era a falta de leads era a falta de critério na sua origem.

As campanhas de Google Ads concorriam em keywords genéricas ("contabilista", "avença contabilidade preço", "contabilidade barata") que atraem, por definição, quem decide pelo preço. Faltavam keywords negativas básicas do setor "grátis", "curso", "estágio", "emprego", "simulador" e não existia qualquer campanha para os serviços de maior valor: outsourcing de payroll, consultoria fiscal ou apoio a empresas estrangeiras a operar em Portugal.


O site tratava todos os serviços como um bloco único de "serviços de contabilidade", sem páginas dedicadas por serviço nem por perfil de cliente. Uma empresa com 80 colaboradores à procura de externalizar o processamento salarial encontrava exatamente o mesmo conteúdo e o mesmo formulário de nome, email e telefone, que um trabalhador independente à procura de quem lhe entregue o IRS.


Sem qualificação à entrada, a triagem caía sobre os contabilistas seniores, que perdiam horas em reuniões com empresas sem dimensão para os serviços propostos. E sem qualquer registo do ciclo comercial nos dados reunião, proposta, avença assinada, valor anual, as campanhas eram avaliadas ao formulário: o algoritmo do Google estava, na prática, a ser treinado para encontrar mais pedidos de orçamento de baixo valor.

A estratégia partiu de uma decisão de posicionamento: deixar de competir pelo preço da avença e passar a competir pelo perfil de cliente. Toda a operação digital foi reconstruída em torno do valor anual contratado, não do número de contactos.

Segmentámos a oferta em páginas dedicadas por serviço e por perfil. Outsourcing de payroll para empresas de 20 a 200 colaboradores, contabilidade e representação fiscal para empresas estrangeiras a operar em Portugal, consultoria fiscal para PMEs em crescimento. Cada página com a linguagem, as objeções e as provas do respetivo decisor porque quem contrata payroll externalizado não pesquisa, não pensa e não compra como quem procura um contabilista para o IRS.


Reestruturámos o Search por intenção de valor. Campanhas independentes por serviço, focadas em cauda longa transacional ("outsourcing processamento salarial", "contabilidade para empresa estrangeira em Portugal", "destacamento de trabalhadores obrigações") e protegidas por listas de keywords negativas que excluem pesquisas de preço, emprego e formação. O budget deixou de pagar cliques de quem nunca seria cliente.


Introduzimos qualificação à entrada. O formulário genérico deu lugar a um percurso curto com os dados que definem o perfil: número de colaboradores, setor, serviço pretendido e situação atual (primeira contabilidade, mudança de gabinete, internalização vs. externalização). Cada lead entra no CRM com scoring automático as que cumprem o perfil-alvo geram alerta imediato para marcação de reunião de diagnóstico; as restantes seguem para um fluxo de nurturing sem consumir tempo sénior.


Construímos um motor de nurturing alinhado com o calendário fiscal. Sequências de email ativadas pelos momentos em que as empresas realmente reavaliam o seu gabinete: fecho de contas e Modelo 22, entrega da IES, início de ano fiscal, alterações ao Orçamento do Estado. Lead magnets de valor real, calendário fiscal anual, guia de obrigações declarativas, checklist de payroll para empresas estrangeiras, a captar decisores meses antes da decisão.


Fechámos o ciclo de dados com conversões offline. Reunião de diagnóstico realizada, proposta enviada e avença assinada, com o respetivo valor anual, passaram a ser importadas para as plataformas de campanha. O smart bidding deixou de otimizar para formulários e passou a otimizar para receita recorrente contratada.


Ativámos o LinkedIn como canal de autoridade, com conteúdo técnico assinado pela equipa (alterações fiscais comentadas, erros comuns de payroll, casos práticos anonimizados) e campanhas segmentadas por função e dimensão de empresa, dirigidas a quem decide: gestão, financeiro e recursos humanos.

Resultados

Ao mudar o alvo de "mais contactos" para "melhores empresas", a economia de toda a operação comercial mudou.


O valor médio anual das avenças assinadas aumentou 57%, reflexo direto da entrada de empresas de maior dimensão e de serviços de maior valor payroll externalizado e clientes internacionais no lugar de avenças mínimas disputadas ao preço.


O custo por reunião de diagnóstico marcada caiu 41%: com qualificação à entrada e keywords negativas a filtrar o tráfego sem perfil, cada euro investido passou a comprar conversas comerciais reais, não triagem telefónica feita por contabilistas seniores.

As leads dentro do perfil-alvo subiram de 27% para 44% (+62%) e, com o histórico de avenças assinadas a alimentar as campanhas, a tendência é de melhoria contínua: o algoritmo aprende todos os meses com os contratos que realmente entram, não com os formulários que apenas prometem.

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