O problema não era a falta de leads era a falta de critério na sua origem.
As campanhas de Google Ads concorriam em keywords genéricas ("contabilista", "avença contabilidade preço", "contabilidade barata") que atraem, por definição, quem decide pelo preço. Faltavam keywords negativas básicas do setor "grátis", "curso", "estágio", "emprego", "simulador" e não existia qualquer campanha para os serviços de maior valor: outsourcing de payroll, consultoria fiscal ou apoio a empresas estrangeiras a operar em Portugal.
O site tratava todos os serviços como um bloco único de "serviços de contabilidade", sem páginas dedicadas por serviço nem por perfil de cliente. Uma empresa com 80 colaboradores à procura de externalizar o processamento salarial encontrava exatamente o mesmo conteúdo e o mesmo formulário de nome, email e telefone, que um trabalhador independente à procura de quem lhe entregue o IRS.
Sem qualificação à entrada, a triagem caía sobre os contabilistas seniores, que perdiam horas em reuniões com empresas sem dimensão para os serviços propostos. E sem qualquer registo do ciclo comercial nos dados reunião, proposta, avença assinada, valor anual, as campanhas eram avaliadas ao formulário: o algoritmo do Google estava, na prática, a ser treinado para encontrar mais pedidos de orçamento de baixo valor.